Património musical na Catedral de Angra no século XVII: três livros de polifonia vocal sacra e o seu possível contexto

Musical heritage in Angra Cathedral in the seventeenth century: three books of sacred vocal polyphony and their possible context

Resumo

A Catedral de Angra foi, desde a sua fundação em 1534, um importante centro musical na ilha Terceira e no arquipélago dos Açores. Embora a sua atividade musical não seja conhecida em detalhe, várias referências documentais sugerem que esta seria pelo menos próxima das catedrais do continente português. Um dos testemunhos documentais é a existência na Catedral de três livros de coro impressos de polifonia vocal sacra de dois dos mais conhecidos compositores portugueses da primeira metade do século XVII: Duarte Lobo e Fr. Manuel Cardoso. O período em que estes livros foram impressos (1605, 1613 e 1621) foi marcado por agitação na cidade de Angra durante a ocupação espanhola. Simultaneamente, a construção da nova Catedral durou quase um século, perturbando a sua atividade litúrgico-musical regular. Partindo dos três livros de polifonia existentes, o presente estudo analisa o património musical da Catedral durante a primeira metade do século XVII e a sua ralação com o seu contexto circundante.

Biografia Autor

Luís Henriques, CESEM/Universidade de Évora

Luís Henriques é um musicólogo atualmente na Universidade de Évora, colaborador do CESEM, MPMP e ACROARTE – Conservação e Restauro. Foi bolseiro no projeto de investigação ORFEUS “A reforma tridentina e a música no silêncio claustral: o mosteiro de S. Bento de Cástris” e é investigador no projeto PASEV “Patrimonialização da Paisagem Sonora de Évora (1540-1910). Fundou o Ensemble da Sé de Angra e Ensemble Eborensis, gravou um CD com atuações em Portugal, Açores e França. Os seus interesses de investigação centram-se na polifonia vocal sacra portuguesa dos séculos XVI e XVII no Alentejo e a música no arquipélago dos Açores.

Publicado
2020-01-30