Samba e Polícia

resistência e crônicas cotidianas de um olhar contra-hegemônico na cidade do Rio de Janeiro

  • Eduardo Brasil Barbosa
Palavras-chave: Samba, Contra-hegemonia, Mídia e Cotidiano, Polícia, Rio de Janeiro

Resumo

O objetivo deste trabalho é resgatar através de três sambas produzidos em épocas distintas, a violência policial como traço comum na linguagem do sambista, como um foco de resistência e contra-hegemonia frente ao Estado. Por meio da análise crítica do discurso sobre as três composições: Delegado Chico Palha (1938), Assim não Zambi (1979) e Numa cidade muito longe daqui - Polícia e Bandido (2009) percebe-se que o samba pode ser compreendido tanto como uma espécie de crônica do cotidiano carioca, como também um produto cultural e de resistência popular em relação ao poder coercitivo do Estado exercido pela polícia. Desse modo, busca-se comprovar que o samba é um material profícuo e um corpus legítimo para a análise dessa questão. Ao refletir sobre o papel da polícia na cidade do Rio de Janeiro, a violência policial aparece como traço em comum e fio norteador desses três sambas analisados para o artigo, pois ao invés de garantir a ordem pública e mediar os conflitos, a violência policial, conforme retrada pelos sambistas, acaba por causar graves transtornos.

Publicado
2020-12-31