Faces da fé e do destino: Aleixo, modelo de abnegação ao serviço da experiência humana
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Resumo
A figura de Santo Aleixo, frequentemente remetida para um segundo plano no panteão hagiográfico, tornou-se um operador cultural de rara eficácia na normalização da abnegação como virtude. Neste estudo, cruzo sistematicamente a análise crítica com a revisão de literatura para demonstrar que a noção de destino, tantas vezes invocada para legitimar renúncias, é uma construção simbólica histórica. Recuperamos a genealogia medieval do sacrifício — em particular a economia sacramental e a pedagogia hagiográfica — e seguimos as suas metamorfoses modernas, quando o romance e o teatro substituem a promessa de glória pela crítica dos dispositivos de conformidade. O itinerário vai de Aleixo a Tolstói (2010), Ibsen (1879), Camus (1942) e Woolf (1925), e, no contexto português, de Camilo e Eça a Florbela, Sophia e Saramago (1991). O argumento central, sustentado por literatura especializada, é que a abnegação opera como tecnologia afetiva de coesão social, convertendo dor em sentido e serviço em mérito, mas a literatura preserva a capacidade de desnaturalizar esse dispositivo, devolvendo-o ao escrutínio ético.
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