Humanizando a epistemologia ocidental: caminhos entre comunicação, decolonialismo, ciência e educação
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Resumo
Este ensaio crítico propõe uma reflexão sobre as relações entre ciência, comunicação social e educação a partir de um diálogo entre contribuições de pensadores latino-americanos, indígenas e do norte global, em um contexto marcado pela crise ambiental, pela pluralidade epistêmica e pelo esvaziamento de sentidos nas sociedades contemporâneas. Discutimos os limites da epistemologia ocidental fundada na neutralidade, na racionalidade técnico-instrumental e na fragmentação do conhecimento. Nesse cenário, retomamos a noção de dialogia e afeto como um gesto ético, político e epistemológico que visa deslocar práticas educativas e comunicativas do paradigma da transmissão para o da relação, abrindo canais de escuta e reconhecimento de saberes historicamente marginalizados. Desde a ideia de confluência, argumentamos que o diálogo intercultural não se baseia na assimilação ou na fusão de saberes, mas na possibilidade de coabitar a diferença sem reduzi-la. Articulamos ainda essa perspectiva às discussões contemporâneas sobre a crise de sentido na educação e na comunicação social, especialmente no enfrentamento da emergência climática, destacando a necessidade de integrar dimensões cognitivas, afetivas e éticas na formação de sujeitos capazes de imaginar e construir futuros possíveis. Concluímos defendendo que a escola e os meios de comunicação podem ser (re)imaginados como territórios de enunciação intercultural, comprometidos com a pluralidade epistêmica, a justiça socioambiental e a reumanização do conhecimento.
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