A subversão da autoridade através do humor em Graças e Desgraças da Corte de El-Rei Tadinho, de Alice Vieira

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Jorge Pereira

Resumo

O presente artigo examina a relevância da obra de Alice Vieira no panorama da literatura infantojuvenil de expressão portuguesa, evidenciando o seu contributo para a superação de perspetivas redutoras associadas a este domínio. A análise centra-se na obra Graças e Desgraças da Corte de El-Rei Tadinho de Alice Vieira, privilegiando o estudo do humor enquanto elemento estruturante da narrativa e mecanismo de crítica implícita. Demonstra-se que o humor, longe de assumir uma função meramente lúdica, opera como dispositivo de construção de sentido, permitindo a problematização de estruturas de poder, convenções sociais e formas cristalizadas de representação. Através da ironia, do absurdo e da inversão de expectativas, a autora desconstrói modelos tradicionais de autoridade, expondo a fragilidade e a ineficácia das instituições. Paralelamente, evidencia-se a importância da linguagem na construção estética da obra, marcada pela articulação entre oralidade e rigor discursivo, bem como pela reconfiguração de códigos da tradição narrativa, nomeadamente do conto de fadas. Esta combinação possibilita diferentes níveis de leitura e promove a participação ativa do leitor. Reflete-se sobre como escrita de Alice Vieira afirma a literatura infantojuvenil como espaço legítimo de criação estética e reflexão crítica, contribuindo para a formação de leitores autónomos e interpretativamente exigentes.

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Como Citar
Pereira, J. (2026). A subversão da autoridade através do humor em Graças e Desgraças da Corte de El-Rei Tadinho, de Alice Vieira. Revista Lusófona De Estudos Culturais E Comunicacionais (NAUS). Obtido de https://revistas.ponteditora.org/index.php/naus/article/view/1183
Secção
Artigo

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