Corpo de proteção: Maternidades negras nas trincheiras do genocídio antinegro no Brasil
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Resumo
Este artigo discute a maternidade negra como agência protetiva no contexto do genocídio antinegro e das medidas socioeducativas em meio aberto no Brasil. A partir de uma análise situacional realizada em um Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) de um município da Bahia, examinamos os modos pelos quais mães negras constroem estratégias de proteção de seus filhos diante da violência racial e da hiperexposição da juventude negra à morte. O artigo mobiliza contribuições dos estudos sobre antinegritude, maternidade negra e genocídio para propor a categoria analítica “corpo de proteção”, compreendida como a plasticidade física, psíquica e performática acionada por mulheres negras na defesa da sobrevivência de sua prole. A análise evidencia que as medidas socioeducativas, embora concebidas formalmente como instrumentos de proteção e socioeducação, operam frequentemente como extensões da lógica punitiva direcionada à juventude negra. Conclui-se que o corpo de proteção sintetiza tanto as estratégias comunitárias de preservação da vida quanto os efeitos devastadores do racismo antinegro sobre as maternidades negras.
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