“BUSCAR EM LONGES TERRAS O QUE EM CASA NOS FALTA”: REFLEXÕES SOBRE O ESTRANGEIRO NO PENSAMENTO DE EDUARDO LOURENÇO

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Mafalda Soares
https://orcid.org/0000-0002-5731-4372

Resumo

Por ocasião do centenário do nascimento de Eduardo Lourenço, e com o intuito de homenagear o seu pensamento enquanto fonte de compreensão dos desafios que atravessam as sociedades europeias dos nossos dias, propomo-nos explorar a noção de “estrangeiro”, focalizando-nos na figura do emigrante português analisada por Eduardo Lourenço na obra O Labirinto da Saudade. Abordaremos, mais precisamente, a tendência do imaginário coletivo português, tal como é apresentada no capítulo “A emigração como mito e os mitos da emigração”, para mitificar o fenómeno da emigração. Observaremos que essa tendência representa para Portugal não apenas uma base de criação de certos fantasmas coletivos, mas ainda uma maneira de aceitar a condição europeia do país — e isto na continuidade de um processo de descolonização iniciado nos anos 70 do século XX. Colocaremos, ademais, a tónica no facto de França ter sido (e continuar ainda a ser) um país de referência para os portugueses, acolhendo uma das mais significativas comunidades portuguesas. Para além disso, debruçar-nos-emos sobre as características da integração dos jovens franco-portugueses e dos seus pais em ambiente francês. Com o escopo de aprofundar o pensamento de Lourenço e de tecer uma abordagem comparatista, recorreremos à obra Étrangers à nous-mêmes de Julia Kristeva, no âmbito da qual a filósofa búlgara naturalizada francesa reflete sobre o(s) olhar(es) que a civilização europeia pousa sobre os estrangeiros.

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Como Citar
Soares, M. (2023). “BUSCAR EM LONGES TERRAS O QUE EM CASA NOS FALTA”: REFLEXÕES SOBRE O ESTRANGEIRO NO PENSAMENTO DE EDUARDO LOURENÇO. Revista Lusófona De Estudos Culturais E Comunicacionais (NAUS), 4(2), 39–49. https://doi.org/10.29073/naus.v4i2.798
Secção
Artigo

Referências

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