“BUSCAR EM LONGES TERRAS O QUE EM CASA NOS FALTA”: REFLEXÕES SOBRE O ESTRANGEIRO NO PENSAMENTO DE EDUARDO LOURENÇO
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Resumo
Por ocasião do centenário do nascimento de Eduardo Lourenço, e com o intuito de homenagear o seu pensamento enquanto fonte de compreensão dos desafios que atravessam as sociedades europeias dos nossos dias, propomo-nos explorar a noção de “estrangeiro”, focalizando-nos na figura do emigrante português analisada por Eduardo Lourenço na obra O Labirinto da Saudade. Abordaremos, mais precisamente, a tendência do imaginário coletivo português, tal como é apresentada no capítulo “A emigração como mito e os mitos da emigração”, para mitificar o fenómeno da emigração. Observaremos que essa tendência representa para Portugal não apenas uma base de criação de certos fantasmas coletivos, mas ainda uma maneira de aceitar a condição europeia do país — e isto na continuidade de um processo de descolonização iniciado nos anos 70 do século XX. Colocaremos, ademais, a tónica no facto de França ter sido (e continuar ainda a ser) um país de referência para os portugueses, acolhendo uma das mais significativas comunidades portuguesas. Para além disso, debruçar-nos-emos sobre as características da integração dos jovens franco-portugueses e dos seus pais em ambiente francês. Com o escopo de aprofundar o pensamento de Lourenço e de tecer uma abordagem comparatista, recorreremos à obra Étrangers à nous-mêmes de Julia Kristeva, no âmbito da qual a filósofa búlgara naturalizada francesa reflete sobre o(s) olhar(es) que a civilização europeia pousa sobre os estrangeiros.
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Referências
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Lourenço, Eduardo (2001). O Labirinto da Saudade — Psicanálise Mítica do Destino Português (version numérique). Gradiva.
Peralta, Elsa (2019). A integração dos “retornados” na sociedade portuguesa: identidade, desidentificação e ocultação. Análise Social, 54(2), 310–337. https://doi.org/10.31447/as00032573.2019231.04
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